Hoje, sexta-feira santa, estava ansioso para voltar a ver meu Davi. Quase um mês que não o via. A última vez foi em 24/03.
Meu Deus, que saudades!!!
Saí de casa por volta de 12h e fui ao Méier pra depois ir pra Bangu. No nervosismo de meu coração e angústia a toda, fui chegando.
Estava levando dois ovos de páscoa (serenata de amor, em forma de bombom e batom – em forma de batom rsrs), além de um kit que continha um gibi pra colorir e um pra ler do Cocoricó (que ele adora), e biscoitos (mini biscoitos). Levei também um conjunto de casaco e calça comprida azuis.
Ao subir a rua, fui pedindo a Deus pra me proteger e evitar que discussões acontecessem, visto que até ontem as coisas estavam difíceis.
Cheguei em casa + ou - às 13h45, e vi a Débora. Vi uma moça que estava ajudando a juntar as coisas para a mudança.
Lá estava uma das tias da Débora (tia Neide). Fui pra área perto da cozinha e começamos nossa festinha. Brincamos de boneco, de abraçar, beijei tanto meu filhote.
Ele vinha com aquela boquinha molhada. Rsrs
Que saudades.... dizia pra ele: ´´- Te amo muito, filho!``
Ele me olhava, parecendo entender . O tempo estava passando. 5 meses que eu tinha saído.
= O que eu havia perdido nesse tempo??? Que expressões de seu lindo rosto?? Que palavras sussurradas ao longo do dia? Que brincadeiras???
O que eu havia ganhado nesse tempo??? Que alegrias?? Que palavras que realmente confortaram minha alma, ao longo do dia? Que graça tinha essa minha vida??? =
Entreguei a roupa, os chocolates e os biscoitos, na presença da mãe dele. No Batom, veio um cofrinho em forma do boneco Batom. Ele, claro, adorou!! Foi logo colocando moedinhas. Esvaziei as moedas da minha carteira pra dar pra ele.
Depois fomos jogar bola. Como ele estava chutando bem!!(parece o pai)rsrs
O tempo ia passando e aquela dorzinha já vinha no meu peito. A Débora tinha dito um dia antes que ia ter que sair umas 17h.
Fui juntar também minhas coisas que estavam no sótão com as que ela já tinha separado.
Acabei deixando pra ele o teclado que minha avó tinha dado (eu só tenho que arrumar depois uma tomada pra ele).
Depois de algumas gotas de suor e cansaço, pude voltar minhas atenções a ele. Veio no meu colo e cada vez que eu pedia um abraço ou um beijo, ele vinha com tanto carinho, tanta emoção, que ao escrever agora, confesso que algumas lágrimas estão por cair.
Comendo biscoitinhos trakinas, brincamos de boneco (uma luta entre Shrek e Mônica). Depois ele me mostrou onde estavam alguns objetos que eu perguntava na revistinha que levei.
Cada vez mais esperto.
Fomos até a área, no quintal, e ali brincamos, com ele no colo, tentando juntar todos os pregadores da corda de secar. Coisas bobas. Coisas simples. Coisas que eu tinha sempre. Talvez, tivesse dado mais valor a essas pequenas coisas.
Fomos mais perto das árvores e brinquei com ele em meu colo: ´´- Dá tchau pra árvore. Dá tchau pro céu. Dá tchau pra nuvem. Dá tchau pra terra.`` E ele, esperto, acenava com a mão.
Pensei: ´´Será que eu fazia isso quando morava aqui? Será que fui realmente um bom pai? Paciente, atencioso ao extremo? Ou estava mais preocupado com o trabalho?``
A hora foi chegando e liguei para o táxi para ajustar a hora de me buscar para 16h30. Continuamos brincando. Ele no meu colo e eu pedindo mais abraços e beijos.
Débora se aproximou e perguntou se tinha algo a mais para falar com ela. Eu disse que, para evitar confusão preferia ficar quieto. Anteriormente, no quarto, enquanto Davi estava na sala, ela tinha dito que não estava deixando eu ir lá nesse período pelas coisas que eu dizia quando ia lá. Mas só Deus sabe que não a xingava nem falava nada que fosse ruim.
Na hora fatídica, o táxi chegou e falei com os olhos marejados:
´´Papai tem que ir, mas já volta, tá?``
Ele me olhou (e isso eu não esqueço) e se pôs a chorar (estou chorando).
= Deus sabe o quanto eu queria voltar atrás quando decidi tomar uma decisão na minha vida. Se fosse pra ficar longe dele e sofrer tanto assim, preferiria continuar sofrendo, mas ao seu lado. =
´´Papai vai, mas volta daqui a pouco!!`` ´´Vai no colinho da sua mãe.``
Ele não acreditava. Sabia que eu não voltaria daqui a pouco. Nem amanhã. Ele não sabia quando. Nem eu....
Seus olhos pareciam querer dizer: ´´Pai, fica aqui! Não vai, não!``
Fui levando minhas coisas pro táxi, junto com a tia Neide e com a moça que estava lá, enquanto Débora levou minha única alegria pra dentro de casa. Aquilo me fez tão mal. Tão mal.
Agradeci as duas e entrei no táxi. Subindo a rua, lembrei que havia esquecido minha mochila na casa.
Voltei e fui direto ao banheiro, onde ele estava tomando banho. Ele estava chorando ainda. Passei a mão em sua cabeça (como um simples carinho parece tão importante), beijei seu rosto e disse:
´´- Papai vai lá comprar refrigerante!! Já volta!!`` . Débora confirmou. Mas ele sabia que não era verdade.
Saí do banheiro consternado e novamente agradeci as duas. Fui embora.
= Meu coração naquele momento parou de bater. Parara ao ver os olhos de meu filho pedindo pra eu não ir. Pararam ao perceber que como a Débora estava voltando para a casa dos pais dela, nunca mais veria a casa que morei durante um tempo. =
Estava chegando em casa, mas meu ´´Vi`` estava completamente em minha cabeça. Em meu coração.
Ele é tudo o que tenho. É o que me faz continuar. O que me mantém respirando. Devo estar em depressão. 5 meses ligado no automático. Um morto-vivo. Estou em pedaços.
E volto ao poema que fiz pra ele, um dia antes de sair de casa, no ano passado:
QUE SAUDADES
AH, FILHO!!! QUE SAUDADES!!!
MESMO SEM ESTAR LONGE DE TI AGORA, JÁ SINTO-ME SÓ.
ESTOU EM UM MAR DE INCERTEZAS, DÚVIDAS, SOLIDÃO.
POIS NÃO SEI COMO FAZER PARA PREENCHER ESSE VAZIO QUE ME FAZ A SUA FALTA.
SUA ALEGRIA, ENERGIA, SABEDORIA EM UM OLHAR.
CARINHO, AFEIÇÃO E COMPREENSÃO, TUDO EM UM SÓ CORAÇÃO.
TIVE, TENHO, TEREI QUE TE DEIXAR AO FRIO SOPRAR DO VENTO,
LONGE DA MARÉ DO MEU AMOR, DOS MEUS BRAÇOS, DO MEU LAÇO.
COMO TIVE TUDO QUE EU QUIS, SE NÃO TENHO VOCÊ COMIGO?
ALIÁS, TENHO MUITO DE VOCÊ, DENTRO DE MIM, MAS LONGE DE MIM.
QUE SAUDADES, FILHO AMADO, DE VIVER COM VOCÊ.
DE VER VOCÊ CRESCER, ACOMPANHAR, SORRIR.
ESTOU COM FRIO AQUI. AONDE ESTOU? COMO VOU SUPORTAR ESSA DOR?
ESSE SENTIMENTO QUE ME CORROMPE, ME DESTRÓI, ME MACHUCA.
ESSA FALTA, QUE LONGE DE TI, NUNCA VAI SUMIR, DESAPARECER.
NAVEGANDO NUM MAR INFINITO, EM TEMPESTADES E TORMENTAS.
MAS TIVE QUE IR, PRA VOCÊ, POR VOCÊ.
MAS NUNCA DEIXAREI DE TE AMAR, DE ESTAR AÍ.
LONGE OU PERTO, VOCÊ ESTARÁ SEMPRE DENTRO DO MEU CORAÇÃO, MEU PENSAMENTO.
FOI NECESSÁRIO. UM SACRIFÍCIO. UMA TROCA. MINHA AUSÊNCIA POR SUA FELICIDADE.
E POR ELA, EU TROCARIA DE NOVO, E DE NOVO, E DE NOVO....
TUDO POR SUA FELICIDADE, SUA PAZ, SUA SAÚDE, SEU AMOR.
MEU AMOR, TE AMO ACIMA DE TODOS E DE TUDO.
SERÁS SEMPRE O MAIS IMPORTANTE PRA MIM.
MINHA VIDA SERÁ OFERECIDA SEMPRE PARA TE DAR O MELHOR.
EU TE AMO, MEU FILHO. MEU ORGULHO. MINHA ALEGRIA.
MINHA ALMA ESTÁ AQUI, INTEIRA PRA TE DAR O MELHOR.
EU TE AMO, MEU FILHO. MEU AMOR. MEU AMOR. QUE SAUDADES...
DANIEL DA SILVA (14.11.10 – 01h25)
Só aí vi meu pequeno sair de dentro de casa e caminhar em minha direção, feliz da vida e me conduzindo pra dentro de casa.




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